segunda-feira, 28 de abril de 2014

A psicologia tem crescido como ciência e é possível notar o grande benefício quando somada a uma equipe multiprofissional. Hoje trouxe um texto sobre REABILITAÇÃO PULMONAR. Assunto que geralmente não ouvimos falar, mas ao ler o texto podemos considerar que o acompanhamento psicológico ajuda na qualidade de vida daqueles que passam a vida em tratamento. 


Programa Multiprofissional de Cuidados à Pacientes com Alteração Respiratória Crônica


Reabilitação pulmonar é um programa multiprofissional de cuidados a pacientes com alteração respiratória crônica que engloba o estabelecimento de: 1) diagnóstico preciso da doença primária e de co-morbidades; 2) tratamento farmacológico, nutricional e fisioterápico; 3) recondicionamento físico; 4) apoio psicossocial; e 5) educação, adaptado às necessidades individuais para otimizar a autonomia, o desempenho físico e social ( Evidência C). O conceito de Reabilitação Pulmonar é recente no Brasil; o primeiro centro com essa finalidade foi inaugurado em 1992, na Universidade Federal de São Paulo. Hoje já são 16 dispersos em todas as regiões.
As principais metas da reabilitação pulmonar são reduzir os sintomas, melhorar a qualidade de vida e aumentar a participação física e emocional em atividades diárias. Para atingir tais metas, a reabilitação pulmonar envolve uma gama de problemas não pulmonares que podem não ser adequadamente direcionados pela terapia médica para DPOC. Tais problemas, que afetam especialmente pacientes no estágio II: DPOC moderada e no estágio III: DPOC grave, incluem falta de condicionamento físico, relativo isolamento social, estados de humor alterados (especialmente depressão), desgaste muscular e perda de peso. Esses problemas apresentam relações complexas e a melhora em qualquer um desses processos interligados pode interromper o “ciclo vicioso” na DPOC de modo que os ganhos positivos ocorram em todos os aspectos da doença.
Pacientes de todos os estágios da DPOC podem beneficiar-se de algum grau de reabilitação pulmonar (Evidência A). Pacientes tratados com a reabilitação Pulmonar reduzem a necessidade de visitas médicas domiciliares para tratamento de exacerbações e quando hospitalizados permanecem por menos dias internados ( Evidência A), melhoram a qualidade de vida e a capacidade de realizar exercícios.
A avaliação básica deve incluir anamnese e exame físico; espirometria, avaliação da capacidade de realizar exercício físico, avaliação psicológica, avaliação de qualidade de vida, avaliação da dispnéia e avaliação nutricional.
Os benefícios obtidos com um programa de reabilitação pulmonar estão muito bem determinados na literatura. Atualmente, já estão bem estabelecidas as bases científicas e a eficácia da Reabilitação Pulmonar como meio de aliviar os sintomas e otimizar a função dos pacientes com doença pulmonares crônicas. Os melhores resultados encontrados na literatura referem-se aos programas de Reabilitação Pulmonar em nível ambulatorial.

Benefícios Obtidos com a Reabilitação Pulmonar


- Melhora da capacidade de exercício
- Redução da sensação da falta de ar 
- Pode melhorar a qualidade de vida relacionada à saúde 
- Reduz o número de hospitalização e dias de internação hospitalar 
- Reduz a ansiedade e a depressão associadas a DPOC 
- O treinamento dos músculos dos membros superiores aumenta a capacidade de realizar atividades com os braços, melhora a coordenação dos músculos e adaptação metabólica e reduz a sensação de dispnéia 
- O treinamento dos músculos respiratórios é benéfico, especialmente quando combinado com o treinamento físico geral
- Os benefícios se estendem muito além do período imediato ao treinamento 
- Melhora a sobrevida 

Tradicionalmente, a reabilitação pulmonar é direcionada basicamente, a pacientes com doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC). No entanto, mais recentemente, tem se dado atenção a outras doenças obstrutivas: asma perene e fibrose cística. Poucos asmáticos necessitam de reabilitação pois a maioria tem asma leve e quando fora da crise a função pulmonar e a capacidade física são normais. Dentre as doenças com insuficiência respiratória restritiva, há indicação de reabilitação pulmonar os pacientes com doenças neuromusculares, intersticiais e cifoescolióticas. A reabilitação pulmonar está indicada a todos os pacientes com pneumopatia que já estejam sob terapêutica adequada e que continuam apresentando dispnéia.

Intervenção Psicológica e Comportamental


A ansiedade e a depressão constituem-se na principais alterações observadas em pacientes portadores de DPOC. Ansiedade geralmente surge como conseqüência da doença, estando, portanto associada aos sintomas físicos, principalmente relacionada à intensa dispnéia.
A depressão também é muito comum, embora em alguns casos esses níveis não cheguem a se constituir num sintoma psicológico significante.
Alguns estudos têm mostrado uma associação entre DPOC e pobre imagem corporal; baixo autoconceito; aumento do sentimento de solidão e insatisfação com o apoio social recebido. È sabido que a atividade sexual e os sentimentos que se tem sobre ela fazem parte dos componentes de identidade e auto-estima. Por isso, percebe-se que na área sexual também são sentidos os reflexos da DPOC.



Psicóloga Clínica e do Esporte
DAFNE SECCO
CRP: 06/118470
Contatos: 974051682
dafnepsi@yahoo.com.br 

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